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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Evento ensina usuários sem experiência a usar criptografia

Evento ensina usuários sem experiência a usar criptografia:
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A primeira edição da CryptoParty São Paulo ocorrerá no último sábado deste mês, dia 30 de novembro, das 9h30 às 19h00. A CryptoParty (ou CriptoFesta) é um evento gratuito e aberto ao público para aprender como usar ferramentas básicas de criptografia para dar maior segurança à sua comunicação. O objetivo dos organizadores é incentivar a criação e disseminação de uma cultura de defesa da privacidade entre as pessoas que utilizam a Internet.

Os participantes poderão, em um formato (meio) descontraído, assistir palestras sobre segurança da informação e privacidade, discutir o tema e também conhecer as ferramentas de proteção contra a vigilância praticada por empresas e governos.
A cada nova revelação do WikiLeaks e de Edward Snowden ficamos apavorados e preocupados com a ameaça do controle e da vigilância. Então é necessário não só lutar politicamente contra novas leis e práticas de vigilância, mas também torná-la tecnicamente impossível. “O universo acredita na criptografia”, escreveu Julian Assange, fundador do Wikileaks, da embaixada do Equador em Londres, uma vez que “é mais fácil criptografar informações do que descriptografá-las”. Se a política falhar (e não estamos num momento muito otimista), a criptografia poderá ser a nossa última esperança contra o domínio das grandes empresas e governos.
A CryptoParty é uma iniciativa global e descentralizada para apresentar softwares de criptografia e explicar seus conceitos para o público em geral. Portanto, não é necessário conhecimento prévio sobre o assunto para participar. A CryptoParty São Paulo está sendo organizada, desde o início de outubro, pela Actantes, entidade de defesa da privacidade e liberdade na rede, pelo Grupo de Trabalho “Segurança e Privacidade” da rede social livre Saravea[4] e por colaboradores individuais.
A programação do dia começará às 9h30 e terminará às 19h e contará com a realização de oficinas (tutoriais), mesas de debate e desconferências (palestras relâmpago). O anonimato da rede Tor, chave pública de criptografia (GPG) e OTR (Off The Record) são algumas das ferramentas a serem apresentadas e discutidas durante a festa.
No final da tarde, às 17h, o criptógrafo e professor da UNB, Pedro Rezende fará uma palestra mostrando os riscos da biometria para as sociedades democráticas. Falará também da urna eletrônica brasileira, desmistificando o discurso de segurança impecável e mostrando seus pontos obscuros e falhas.
Além disso, durante o dia inteiro teremos um Install Fest (festival de instalação) do sistema operacional GNU/Linux Debian. A CryptoParty adota o software livre como marco zero na discussão de segurança. Nós não confiamos em softwares proprietários, isto é, em programas que não nós permitem observar, auditar, modificar e compartilhar o código fonte. A programação completa pode ser vista no site ou através do hidden service do Tor.
Cryptoparty Brasil 2013
Onde: Rua Minas Gerais, 181 – Consolação – São Paulo/SP – Próximo ao metro Paulista e Consolação.
Quando: 30 de novembro, das 9h30 às 19h
Informações: contato@cryptoparty.inf.br
Com informações de ARede e CryptoParty.

Projeto Guarux: Software livre para superar barreiras

Projeto Guarux: Software livre para superar barreiras:
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O município paulista de Guarulhos acelerou o passo em direção à inclusão digital de pessoas com deficiência visual, motora, com Síndrome de Down e com Transtorno de Desenvolvimento Global (autismo). O projeto Guarux – criado em 2009 pelo Departamento de Informática e Telecomunicações da prefeitura – abriu caminho, em 2011, para softwares inclusivos e educacionais direcionados às pessoas com deficiência que frequentam as Unidades de Telecidadania (telecentros). “Customizamos uma distribuição de aplicativos específicos a partir do Ubuntu Linux”, explica Marcos da Paz, um dos coordenadores da iniciativa, que teve a participação de técnicos e gestores das coordenadorias municipais.
Os aplicativos foram desenhados depois de uma pesquisa de campo com o apoio de instituições do terceiro setor. Para sintonizar a tecnologia com as demandas da comunidade, foram aplicados testes sob o acompanhamento de especialistas. “Desenvolvemos 12 jogos e os próprios autistas escolheram seis, que estão em uso”, conta o coordenador. Esses games, por exemplo, auxiliam o desenvolvimento de crianças e adolescentes com deficiência intelectual.
Entre as ferramentas acopladas ao Guarux também estão uma interface que permite mover o mouse com o movimento da cabeça captado por uma câmera, leitores de tela que obedecem a comandos de voz ou que aumentam as letras, como as lupas – para usuários com dificuldades de visão – e uma lousa digital que pode ser projetada em qualquer superfície e tem uma caneta que escreve por meio de sinal infravermelho.
A versão Guarux com aplicativos especiais roda nos computadores das 27 unidades Telecidadania, distribuídas por todas as regiões de Guarulhos. “O diferencial com relação a outros telecentros é que aqui não deixamos um computador específico para deficientes. Essa opção está em todas as máquinas. É um padrão”, ressalta Paz.
A rede de Telecidadanias contabilizam mais de dez mil usuários cadastrados e aproximadamente 14 mil acessos mensais. A maioria dos moradores que frequentam os locais vem de bairros da periferia onde o único acesso à internet acontece em lan houses. As unidades também oferecem cursos básicos de informática. Neste ano, 1.500 pessoas foram formadas, inclusive pessoas com deficiência que participaram das capacitações usando os novos recursos. Monitores dos Telecidadanias e gestores da prefeitura receberam treinamento para multiplicar o Guarux. “O plano é ampliar essas capacitações até o ano que vem”, afirma Firmino Manoel, responsável pela Coordenadoria de Políticas para Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida do município.
Como o Guarux é uma distribuição em software livre, de código aberto, o projeto possibilita a adaptação para outras realidades. Os aplicativos podem ser utilizados por professores, profissionais da área da saúde que trabalham com pessoas que possuem deficiências, escolas e outras instituições públicas. É só baixar o programa em casa ou no trabalho. Sem pagar nada, para usar livremente.
Incorporado desde o início dentro da prefeitura, o Guarux está sendo usado hoje em cerca de mil computadores dos funcionários públicos, que antes utilizavam softwares proprietários. A implantação do sistema alternativo representou uma economia de mais de R$ 1 milhão aos cofres da cidade – desempenho que rendeu à prefeitura o Prêmio Mário Covas 2013 na categoria Destaque e Excelência no Gasto Público Municipal.
Para baixar
Além de cortar despesas com programas pagos, o Guarux foi lançado com o objetivo de atender a uma Instrução Normativa da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, que estabelece diretrizes para desenvolver, distribuir e utilizar softwares públicos. Desde agosto, o Guarux está disponível no Portal do Software Público Brasileiro, onde é possível fazer o download gratuito dessa e de outras 60 soluções.
Novos serviços para pessoas com deficiência estão sendo tocados pela prefeitura de Guarulhos. Como o programa Superação, lançado em setembro de 2013, uma espécie de banco de dados com vagas e currículos que promete facilitar o encontro de candidatos com empresas que estão contratando. “É comum empregadores dizerem que não sabem onde estão essas pessoas. O sistema vai facilitar o contato dos empregados com os empregadores”, diz Manoel. O sistema eletrônico está hospedado no site da prefeitura.
Em breve o site também oferecerá o serviço de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em tempo real, para atender pessoas com deficiência auditiva. Por meio de uma câmera, um intérprete vai fazer a ponte entre o usuário e o serviço público municipal de que ele necessita.
http://guarux.guarulhos.sp.gov.br
www.guarulhos.sp.gov.br 
www.softwarepublico.gov.br
Com informações de ARede.

Confirmado (de novo): Playstation 4 roda mesmo o kernel do FreeBSD

Confirmado (de novo): Playstation 4 roda mesmo o kernel do FreeBSD:
Já tínhamos antecipado e depois uma entrevista com um representante da Sony confirmou, mas agora uma screenshot dos créditos do sistema, postada no Reddit, tornou tudo mais visível:

A escolha de componentes do FreeBSD pela Sony para mim faz bastante sentido: a licença é permissiva, o sistema conta com um modelo sólido de multitarefa (incluindo as modificações oriundas do Darwin), e – ao que tudo indica mas ninguém confirmou – a empresa já tem bastante experiência com a família BSD nos bastidores de aplicações de entretenimento devido ao sistema operacional nativo do PS3, que alguns dizem descender do FreeBSD ou de outros descendentes do BSD. (via news.softpedia.com - “It's Official, Playstation 4 Runs FreeBSD Kernel”)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Planeje a decoração da sua casa com Sweet Home 3D 4.2

Planeie a decoração da sua casa com Sweet Home 3D 4.2: O Sweet Home 3D é já uma das mais famosas aplicações desenho de interiores que ajudará qualquer utilizador na distribuição dos móveis para os espaços da nossa casa. Para aqueles e aquelas que passam horas a planear como será a mudança de decoração de um determinado espaço, o Sweet Home 3D pode tornar-se no parceiro […]

Samsung suspende update do Android 4.3 para Galaxy SIII após reclamações

Samsung suspende update do Android 4.3 para Galaxy SIII após reclamações:
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A Samsung suspendeu a atualização do Android 4.3 para o Galaxy SIII. As informações são do Engadget.
Alguns usuários relataram alguns problemas com o update como interrupções no áudio, consumo excessivo da bateria e congelamentos na tela.
Ainda não está claro sobre quando a empresa irá retomar com as atualizações.
Outros problemas com o Galaxy SIII
Na semana passada, a Proteste Associação de Consumidores orientou os usuários do Galaxy SIII (Modelo GT-I9300) a entrarem na justiça por conta de um defeito no aparelho.
De acordo com a entidade, mais de mil consumidores foram afetados pelos problemas de travamento inesperado do dispositivo e a empresa não solucionou o caso mesmo após ser notificada.
Fonte: IDGNow

O Vale do Silício contra a NSA

O Vale do Silício contra a NSA:
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Danem-se esses caras. Com esta frase, o engenheiro Brandon Downey, do Google, se referiu à turma da Agência Nacional de Segurança, a NSA. É um post público, no Google Plus, rede social da empresa. Downey é um dos principais envolvidos com a segurança das propriedades Google. E, de gentil, seu texto de nove parágrafos não tem nada. Já de início, a palavra que ele usa em inglês para dizer “danem-se” é mais forte. Começa com F. “Vi exércitos de computadores robôs tentando derrubar o Google”, ele segue. “Vi gangues criminosas descobrindo formas de instalar vírus. Vi governos opressores utilizando-se de hackers estatais para encontrar dissidentes. Mas, mesmo desconfiando que isso acontecia, tudo me deixa terrivelmente triste. Estou triste porque acreditava nos Estados Unidos.”
O artigo é do dia 30 de outubro e se refere a uma matéria publicada no Washington Post naquela manhã. Ela mostrava como a NSA desviava o tráfego de dados interno do Google e do Yahoo! para interceptar informação. É um serviço tecnicamente complexo. Um slide da apresentação tornada pública pelo Post fez tocar o alarme na sede do Google, em Mountain View. Lá estava um trecho de informação que tornava óbvio que, sim, a agência de espionagem de dados entrou mais fundo do que era conhecido.
Google e Yahoo!, assim como inúmeras outras empresas de peso pesado do Vale do Silício, têm servidores espalhados por todo o mundo. E, muitas vezes, não se utilizam da internet pública para trocar dados entre estes servidores. Usam, isto sim, cabos privados e protocolos próprios. Ou seja, não falam a língua técnica na qual a internet se baseia. Usam outra, proprietária, que é mais ágil para seus propósitos. Os repórteres do jornal perguntaram ao diretor da NSA, general Keith B. Alexander, se a agência havia “entrado nos bancos de dados mundiais de Yahoo! e Google”. Calculadamente, ele respondeu: “Isto jamais ocorreu, a NSA não entrou em qualquer bancos de dados, seria ilegal fazermos isto.” A resposta parece clara feito água. Não é. A NSA realmente não pode violar servidores sem autorização dos donos ou de juiz. O truque é outro: o que ela interceptou foram os dados que trafegavam entre um servidor e outro, dentro das redes privadas de ambas as empresas.
O resultado inevitável
A agência usa um segundo truque. Quando a legalidade do que pretende fazer é dúbia nos EUA, utiliza-se do Quartel General de Comunicações Governamentais, GCHQ na sigla em inglês, seu equivalente britânico. A operação de espionagem, portanto, é compartilhada entre os países. “Os pacotes apresentados nos slides (do Post) mostram um processo de replicação de bancos de dados nos quais trabalhei por mais de dois anos” escreveu, também no Google Plus, outro engenheiro, o inglês Mike Harn. “Desdenhamos este sistema para deixar os criminosos do lado de fora. Não há como ser ambíguo aqui”, ele disse. “Vivemos em um mundo no qual as leis servem para as pessoas miúdas. Ninguém no GCHQ ou na NSA jamais se porá perante um juiz para responder por esta subversão do processo judicial em escala industrial.”
Nem Harn, nem Downey escreveram em nome do Google, seu empregador. Eric Schmidt, ex-presidente e hoje responsável pela relação da empresa com o governo, o faz. “É ultrajante”, ele disse. Outrageous, em inglês. A revista eletrônica Salon sugere que há uma ponta de hipocrisia. Há alguns anos, o mesmo Schmidt havia sugerido que aqueles sem ter o que esconder não precisavam temer espionagem. Agora, descobre-se, expostos à espionagem são todos.
Inicialmente, o Vale do Silício reagiu timidamente às revelações de Edward Snowden que, contratado pela NSA, revelou ao repórter Glenn Greenwald a extensão da espionagem. Os dados entregues por Snowden não foram todos revelados ainda. Nas últimas semanas, provocaram algumas das piores rusgas diplomáticas entre Barack Obama e seus pares europeus. Agora também começam a gerar desconforto maior no Vale. Talvez a indústria tivesse, inicialmente, a intenção de colaborar, ainda que discretamente. Mas o resultado inevitável é um desastre para sua imagem. Começaram a rebater.
Por Pedro Doria
Com informações de Observatório da Imprensa.

Pesquisa demonstra que mundo virtual torna jovem mais participativo em aula

Pesquisa demonstra que mundo virtual torna jovem mais participativo em aula:
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Não há, certamente, ninguém, com mínimo espírito crítico, que a partir de certo momento da vida escolar não se tenha perguntado: “Para que estou aprendendo isso? O que isso tem a ver comigo?” As novas tecnologias e seus apelos cada vez maiores tornam esses questionamentos recorrentes, agravados hoje pela inquietação e impaciência dos jovens. Talvez, associem a escola a uma diligência que perdeu os cavalos e segue por áridos descaminhos impulsionada pela inércia, carregando giz e quadro negro.
Depois de licenciada em Letras, Melina Aparecida Custodio foi à sala de aula dedicando-se ao ensino de gramática e produção de textos em várias escolas privadas que adotam sistemas de ensino. Passou a incomodá-la a postura de espectador dos alunos que simplesmente recebiam o conhecimento, o registravam e não sabiam o que fazer com ele. A vaga promessa de que no futuro serviria para alguma coisa, que cairia no vestibular, soava distante.
Resulta daí um grande contingente de alunos desinteressados, mesmo porque grande parte das informações passadas em sala e abordadas nas diversas apostilas é facilmente encontrada na internet. São circunstâncias que geram em sala tédio, conversas, indisciplinas e tentativas de uso do celular, mesmo proibido por lei, como fuga do que se tornou enfadonho.
Preocupada e disposta a mudar esse quadro, Melina voltou ao Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp para cursar pós-graduação no Departamento de Linguística Aplicada, em que atuam professores especializados no ensino de língua materna. Lá se discutiam, entre outras, questões relacionadas às culturas da juventude, ao uso de novas tecnologias no ensino de línguas, embora os caminhos a serem percorridos não estivessem ainda totalmente pavimentados. Orientada pela professora Roxane Rojo, ela se propôs a estabelecer os possíveis diálogos entre produção escrita na escola, novas tecnologias e culturas da juventude, em investigação que culminou em sua dissertação de mestrado.
Ao constatar que a cultura dos jovens provinha essencialmente do mundo virtual, Melina teve a ideia de pesquisar possibilidades e implicações de sua utilização na escola. Partiu, então, para um trabalho diagnóstico. Procurou verificar o que os alunos realizavam com grande motivação no mundo virtual e a que situações a escola os submetia para tentar motivá-los a aprender o conteúdo que se propunha a ensinar. Essencialmente, ela pretendia descobrir o que os motivava a produzir na internet e por que não o faziam em sala de aula, em que angustiados, descambavam para a indisciplina, fenômeno recorrente na escola de hoje.
Ela partia da crença de que era preciso fazer os alunos se apaixonarem pelo conteúdo de modo a se mostrarem motivados a perceberem o significado do que estavam aprendendo. “Para que isso ocorra não se pode tratar o aluno como mero espectador, despejando conhecimento e informações a que ele já tem acesso através da internet. Claro que estou considerando a realidade de uma região em que a maioria dos alunos tanto das escolas privadas quanto públicas dispõem da web”, pondera.

Caminhos
Depois de ter diagnosticado as atividades de seus alunos na internet, Melina se propôs a determinar como essas vivências poderiam ser aproveitadas na sala de aula. Portanto, seu trabalho teve como principal objetivo compreender possíveis relações entre as práticas letradas de jovens no espaço virtual e a influência desse repertório na produção colaborativa de texto escrito e, assim, inferir quais ganhos a exploração dessas relações podem trazer ao ensino-aprendizado da escrita na escola.
Em seu estudo de caso, baseado em um grupo de alunos do oitavo ano do segundo ciclo do ensino fundamental, em escola privada da cidade de Campinas, SP, utilizou uma proposta de produção colaborativa digital, do gênero tragédia.
A atividade foi estruturada de forma a lhe permitir analisar durante o seu desenvolvimento os registros gerados e decorrentes – através da ferramenta digital Google Docs, conectada à internet –, de práticas colaborativas de escrita de grupos de cinco alunos. A colaboratividade estava garantida através de uma atividade conjunta, para a produção de um texto, utilizando uma ferramenta virtual que não exige que os participantes precisem trabalhar ao mesmo tempo e no mesmo lugar.
Basta que um dos componentes do grupo inicie o processo para que todos os demais participantes entrem e comentem, modifiquem, sugiram alterações e melhoras. Resulta um trabalho conjunto à distância, em que as várias etapas do procedimento, do início à conclusão, possam ser acompanhadas pelo professor.
A tarefa proposta assentou-se sobre uma abordagem prevista no planejamento da escola, baseada na leitura de texto que faz parte da cultura valorizada, a tragédia de Hamlet, em Rei Lear, de Shakespeare, sobre o qual rotineiramente deveria ser produzido um texto em sala. Procedida a apresentação e discussão de trechos dessa tragédia, a professora propôs que cada grupo produzisse livremente outra tragédia, mas ligada às suas vidas, às realidades que estavam vivendo, mobilizando para tanto elementos provenientes de suas culturas.
Com efeito, nas orientações impressas entregues aos alunos lê-se: “A tragédia a ser produzida deverá abordar um tema de interesse do seu grupo, explorar recursos e assuntos com os quais nem os gregos (referência à tragédia grega também estudada) nem Shakespeare sonharam”.
Portanto, os alunos podiam produzir a tragédia não só a partir dos conhecimentos adquiridos na escola, mas foram instigados a utilizar repertórios, não valorizados pela escola, mas que fazem parte dos seus universos: letras de música, videogames, histórias em quadrinhos de estilo japonês, os mangás, animações produzidas no Japão, os animês.
Ao final de um bimestre, resultou um trabalho muito rico, com participações e envolvimentos dos alunos, como se pode depreender da leitura dos textos reproduzidos nos anexos da dissertação. O resultado obtido não encontra paralelo nos trabalhos realizados rotineira e individualmente na sala de aula, em que o aluno dispõe de tempo limitado para elaborar um texto em que suas vivências culturais não são solicitadas.
Consequências
Ao serem motivados a utilizarem textos das várias mídias que frequentam e abordam temas relacionados às suas vidas, os alunos sentem resgatadas e valorizadas suas vivências fora da escola e sua essência humana. Nesse processo, a literatura valorizada e o conteúdo programático continuam utilizados, mas de forma diferente. “Ao fazer o aluno compreender a importância dos seus conhecimentos e vivências e como eles podem ser utilizados na escola, propicia-se o despertar de uma paixão. A partir desse sentimento, ele se sente motivado a ir à escola, a trabalhar, a mostrar o que sabe e revela-se produtivo e criativo. É o que se quer desenvolver no jovem hoje: participação na sociedade, no mundo do trabalho com atitudes éticas, cívicas e proativas”, diz a pesquisadora, com entusiasmo.
As mudanças de atitudes emergem quando os próprios alunos assumem o papel do professor manifestando irritação por erros dos colegas, como os relacionados à norma culta da língua. E manifestam cuidados mútuos em relação às suas escritas, retomando regras que pareciam ter sido ensinadas em vão na sala de aula para justificar correções no texto.
À medida que ocorre a produção do texto, links remetem ao material consultado e que serviu de base para sua elaboração, o que permitia que a professora se inteirasse dos gêneros textuais que os interessavam. A partir deles, ela explorou relações com os conteúdos a serem ensinados em sala de aula para que, partindo daquilo que fazia sentido a eles, pudesse conduzi-los ao aprendizado esperado.
Valendo-se então da motivação despertada, Melina estabeleceu um diálogo entre os interesses dos alunos e os objetivos da escola que, no seu caso, eram os conteúdos gramaticais e o trabalho com gêneros valorizados da literatura. Concretizado esse diálogo, a professora observou o aumento da autoestima e grande melhora na disciplina, reações que ela atribui ao fato de os alunos não se sentirem mais apenas espectadores, mas também produtores que tinham encontrado a oportunidade de utilizar seus conhecimentos. E mais, a disciplina de redação não se reduziu à apresentação de textos de livros ou jornais, em cuja qualidade deveriam se espelhar. Fato que muitas vezes contribuía para lhes rebaixar a autoestima, pois criavam expectativas absurdas: elaborar individualmente em folha avulsa, em 50 minutos, textos semelhantes àqueles que foram produzidos por profissionais em maior intervalo de tempo e revisados por colaboradores, tal como ocorre na rotina de jornais e editoras.
A conclusão da pesquisadora é a de que o conhecimento individualizado, hierarquizado, não motiva o aluno, não desperta paixão, não leva a uma postura proativa, não atrai e em boa parte dos casos gera indisciplina. Diante da percepção de que os jovens lidam na internet, no seu dia a dia, de forma muito interativa, com gêneros que têm muito a ver com o gênero narrativo trabalhado na escola, que envolve igualmente ficção cientifica e o fantástico, ela decidiu-se por utilizar colaborativamente habilidades e conhecimentos que fazem parte de seus universos para a produção de textos que remetem aos conteúdos valorizados na escola.
Em sua dissertação, Melina chama a atenção para a extrema importância da valorização das coleções dos alunos na garantia do aprendizado efetivo, sem escamotear as questões sociais e culturais imbricadas nos mais diversos usos da linguagem. Considera essa abordagem bastante diferente daquelas sedimentadas na escola que ensinam os gêneros pelos gêneros, sem que os alunos saibam os contextos em que ocorrem e com quais propósitos.
Para ela “vem bem a propósito a discussão do papel do professor, que frente a esse panorama, não pode mais ter sua função reduzida à transmissão de informações. A ele são lançados os desafios de conhecer as vivências culturais de seus alunos, construir projetos de trabalho que os insiram em práticas autênticas de produção de conhecimento, preparando-os para práticas bem-sucedidas de participação nas múltiplas maneiras de ser humano”.
Com informações de Jornal da Unicamp.