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terça-feira, 31 de julho de 2012

A pequena caixinha chamada escola — uma resposta a Dra. Rosely Sayão

A pequena caixinha chamada escola — uma resposta a Dra. Rosely Sayão:


A pequena
caixinha chamada escola — uma resposta a Dra.
Rosely Sayão

Dra. Rosely Sayão:
Em teu texto publicado no jornal Folha
de São Paulo, chamado
Fora da panelinha,
é admirável tua preocupação com as crianças que vivem em famílias que optaram
pela educação em casa, aquilo que em outros países é conhecido como
homeschooling. Tuas afirmações são espantosas e merecem ser bem avaliadas.
Como psicóloga, sabes que qualquer ser
humano, seja adulto ou criança, necessita de instrução e de direcionamento. Por
si mesmo, o homem tende a se perder. Tu mesma adquiriste teus conhecimentos
aprendendo de teus mestres e lendo autores que, antes de ti, descobriram o que
hoje tu podes saber simplesmente correndo teus olhos pelas letras de um livro.
Onde está, portanto, o conhecimento? Em
edifícios criados para receber centenas ou milhares de crianças de uma única
vez? Não, e tu sabes disso. O conhecimento está nos livros, nos trabalhos, nas
publicações, nos registros das experiências e dos pensamentos. Também está na
cabeça dos mestres que possuem a capacidade de transmiti-lo com sabedoria e
paciência.
No entanto, quem escolhe os livros e os
professores que ensinarão nossos filhos nas escolas? E qual o método de ensino?
E o acompanhamento, quem fará? Ora, se eu posso escolher, segundo meu
entendimento sobre qual o melhor material a ser usado, a capacidade do mestre
que ensinará meus filhos, segundo o método que eu entendo mais eficiente, por
que devo ser obrigado a depositar minhas crianças em um prédio no qual elas
serão apenas mais uma dentro de um universo gigantesco, aprendendo não de
acordo com suas capacidades e possibilidades, mas conforme uma média de
conhecimento que possa abarcar todos que lá estão?
E que tu não venhas me dizer que os
filhos não me pertencem e que eu não tenho direito de direcionar suas vidas.
Tens filhos? Sabes o que é isso? Se tens, os colocaste em uma escola que tu
acreditas ser a melhor, que dará melhor ensino e os preparará melhor para o
futuro. O que é isso senão o direcionamento de suas vidas? Não estás fazendo
com tuas crias o que um proprietário faz com seus bens, aplicando onde
acreditas ser o mais rendoso? Os motivos que me fazem preferir que eu escolha a
forma como meus filhos vão estudar são os mesmos que tu tens para escolher a
escola dos teus.
A diferença entre nós é que tu crês que
a escola é realmente um lugar de conhecimento. Como típica acadêmica,
prostra-te diante deste ídolo de pedra, que promete, sem cumprir, um futuro
brilhante para aqueles que ingressam em seus templos. Tu és, inclusive, cria
desse lugar. Como uma sacerdotisa, embriagada pelo vinho do falso conhecimento,
inebriada pelas visões quiméricas de catedráticos charlatões, acreditas que
fora desse seu universo não há conhecimento, não há sequer vida que valha
alguma coisa.
Por isso tu afirmas que aqueles que
optam pelo homeschooling o façam por medo do conhecimento. Em tua sandice
universitária, vês esses como ignorantes, retrógrados, que temem expor seus
filhos a novas teorias, novas formas de pensar. Diante disso, só posso te fazer
uma simples perguntinha: de onde tiras tais parvoíces?
Em teu orgulho acadêmico, acreditas
sinceramente que uma escola, simplesmente por ser escola, é a depositária do
verdadeiro conhecimento. É óbvio que acreditas que todas as teorias, todas as
descrições históricas, todas as hipóteses levantadas em sala de aula são
inatacáveis. Para ti, o conhecimento é algo estático, propriedade de um grupo,
principalmente daqueles que possuem a autorização governamental para fornecer
diplomas.
Não percebes que o conhecimento é algo que
está além dos muros da academia. Que são os homens que o carregam e o
transmitem. Por isso, não entendes que a opção desses pais é, ao contrário do
que afirmas, possibilitar que suas crianças tenham acesso a um conhecimento
mais amplo, mais sólido e mais profundo do que as escolas podem oferecer.
Defendes as escolas como se elas fossem
o paraíso do saber. Com isso, mostras que, além de não compreender o que é o
conhecimento, ainda tens o olhar obscurecido para a realidade. Nunca ouvistes
falar da péssima formação dos professores, da falta de estrutura das escolas
públicas, da ausência de método no ensino e da grade curricular limitadíssima
imposta pelo governo? A que escola te referes? Talvez, daquelas que apenas
pessoas abastadas podem dar a seus filhos, das quais apenas as mensalidades são
de valor maior que o salário de 90% dos brasileiros. Agora entendo porque
acreditas que a educação em casa é o mesmo do que a perda do convívio social.
Para ti, mulher de posses, há apenas dois ambientes sociais para teus filhos: a
família e a escola. Não conheces nada além disso. Para ti, uma criança viver
socialmente é ingressar em prédios que parecem mais presídios, cercados de
seguranças e arame farpado, sendo monitorada todo o tempo, com horário para
todas as atividades. Este é o teu conceito de liberdade, não é? Bom, é bem
parecido com as utopias totalitárias imaginadas durante mais de quatro séculos
até hoje.
Nunca passou pela tua cabeça que quando
escolhes uma dessas escolas estás tentando dar a melhor instrução e o melhor
ambiente para teus próprios filhos? E que diferença há entre isso e decidir dar
toda a educação fora desse ambiente cerrado? Não, os adeptos do homeschooling
não temem o conhecimento, mas querem oferecer para seus filhos mais
conhecimento do que qualquer escola pode dar. Tu queres passar a idéia de que
são estes os entenebrecidos, quando, na verdade, o que eles buscam é a
verdadeira luz do saber.
Tu, com estas divagações, pelo
contrário, demonstra-te preconceituosa. O que dizes parece demonstrar uma
afeição à diversidade e à universalidade, mas denota, apenas, que não consegues
pensar nada fora da pequena caixinha chamada escola. Devias saber que se há
algum conhecimento na escola, ele veio de fora e não foi criado em sala de
aula. Ora, se ele reside fora dos prédios escolares, por que não buscá-lo
diretamente em suas fontes?
E ainda tens coragem de te mostrares
amante da liberdade? Acusas os pais adeptos da educação em casa de a ofenderem
ou temerem, mas não percebes que és tu que a odeia? Tu não consegues aceitar
que os pais possam ter liberdade de escolher a melhor maneira de educar seus
filhos. Nem de que esses filhos tenham a liberdade de aprender diferente e além
do que se ensina dentro dos currículos herméticos determinados pelo Estado. Se tu
amas a liberdade, se te delicias com a diversidade, por que tens tanta
dificuldade de aceitar que pais tenham a liberdade de decidir pelo melhor para
seus filhos e por que não aceitas a diferença que há entre a visão de mundo
deles e a tua?
Na verdade, tu és como os outros: figem
amar a liberdade, fingem defender a diversidade, mas odeiam tudo aquilo que é
diferente do que consideram seu mundo ideal. És, de fato, intolerante e não
sabes lidar com o que não conheces.
Além disso, o que escreveste apenas demonstra
que sequer te informaste sobre a tradição do homeschooling, seus métodos, suas
formas, suas possibilidades. Despejaste no papel apenas impressões e
preconceitos. Com isso, demonstras muito bem o que acontece com aqueles que são
forjados dentro dos pátios das academias.
Divulgação:
www.juliosevero.com
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