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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Alô, Globo, chame os psiquiatras - não os políticos e "especialistas"!


Depois de assistir à cobertura da chacina do Realengo pelo Jornal Nacional, algumas peças deste macabro quebra-cabeças não se encaixaram. Seguem aqui três delas:

1 - Cadê a entrevista com um psiquiatra competente? Afinal de contas, psicóloga pode dar conta de casos mais brandos, dos que se resolve no setting de um consultório. Não é por acaso, aliás, que aos psicólogos não é permitdo receitar. Quem receita é médico psiquiatra. Quem encara e decide casos de internação indispensável em manicômios são os psiquiatras. Então, por que não entrevistar alguém que verdadeiramente entende desse macabro metiê?

2 - Qual é o sentido de a reportagem afirmar que o agente da tragédia não "declinou os motivos" de ter agido como agiu? Como diria o Faustão, ôrra, meu! Um cara que comete uma chacina estaria em condições de fazer um arrazoado dos motivos que o levaram a agir da maneira insana como agiu? Parece muito difícil para os jornalistas entenderem que os que sofrem de transtornos mentais jamais seriam capazes de dar qualquer explicação dos motivos que os levaram a agir como agiram. Eles são movidos por impulsos irracionais! A "lógica do inconsciente", por paradoxal que pareça, só é acessível aos que dominam a lógica da consciência, o que não é, definitivamente, o caso do assassino que atuou hoje no Realengo.

3- Fátima Bernardes entrevistou o "consultor de segurança" da Rede Globo. Segundo a opinião do tal consultor (um ex-policial que participou da realização do filme "Tropa de Elite"), a única solução é o desarmamento! Ah, é? Será que os psicopatas só sabem fazer chacinas com armas de fogo? Não poderiam usar, por exemplo, venenos, facas ou quaisquer outros métodos para matar?

Não adianta. Enquanto loucos perigosos não forem tratados como loucos perigosos, enquanto a sociedade tentar entender os atos dementes de um psicopata à luz da lógica e da sensatez dos normais, estaremos todos em perigo. A burrice, aliás, é tão perigosa quanto.

Maria do Espírito Santo Canedo

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